20/05/2026Por que você foge de si alma corajosa? | Jung, sombra, persona e o caminho de volta para dentroNa newsletter de hoje eu quero compartilhar as reflexões que
tive ao visitar a exposição “A alma humana, você e o universo de Jung” que
aconteceu no MIS aqui em São Paulo entre novembro/25 e março/26. Saí de lá com uma pergunta que chegou amorosa, mas intensa na minha mente: “Por que foges ou busca fora de ti, alma corajosa?”
Fiz até um “poema” deixando que a “resposta” à essa pergunta “saísse” lentamente sobre as minhas reflexões por meio da escrita... vou deixa-lo na integra, no final deste texto, mas antes disso eu quero trazer alguns dos conceitos da obra Junguiana, insights e sugestões para auto-observação cotidiana. Afinal de contas, minha intenção aqui é trazer reflexões para uma alma corajosa em movimento, pois é no cotidiano que a vida acontece. Bom, alguns de vocês já sabem que sou uma admiradora e
estudiosa da obra do Jung, a obra que deu origem à Psicologia Analítica ou
Psicologia complexa ou profunda. E aqui a gente já se pergunta: Por que 3 nomes? Vamos lá:
Bom, particularmente gosto muito de uma história que ouvi certa vez que a “psicologia junguiana” era só dele mesmo, pois ele tinha feito o trabalho de auto-observação, acompanhamento as imagens e fenômenos que emergiam de seu inconsciente. E que cada um de nós deveríamos ter um caderninho onde escrevêssemos nossos sonhos, imagens, sensações, enfim... ao final desta auto-observação teríamos nossa própria obra e nossa própria psicologia. Eu teria, por exemplo, a psicologia “caunetiana” e você? Qual seria o nome da sua psicologia? Coloca aqui nos comentários! Se esta história procede ou não,
não sei, mas é interessante pensar que a gente pode e deve se atentar àquilo
que nos acontece certo? Talvez seja por isso que na obra “Memórias, Sonhos, Reflexões” Jung cita: "Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou. Tudo nele repousa aspira e torna-se acontecimento, e a personalidade, por seu lado, quer evoluir a partir de suas condições inconscientes e experimentar-se como totalidade." Carl
Gustav Jung Bonito né? Será que a gente , melhor dizendo: nosso ego, consegue
permitir a realização mais profunda da nossa alma? Será que ao final da nossa jornada teremos esta paz de que “o
que foi vivido”, foi o suficiente? Estaremos em paz com nossas entregas? Com nossa jornada de erros
e acertos? Pois é almas corajosas, agora dá pra começar a entender por
que “psicologia profunda” e porque “complexa” né? E também porque ‘essa pessoa
que vos fala’ vos chama de “almas corajosas”. Bora olhar para mais alguns
conceitos? Respira fundo e coragem vai! E fica tranquila que vou trazer conceitos de uma maneira
simplificada e algumas sugestões de como identificar e praticar no dia a dia. Vamos
começar? C’est parti! Persona “Na psicologia de Jung, Persona é a ‘máscara’ que a gente
usa pra se apresentar ao mundo. Ela é necessária: nos protege, organiza a vida
social. Mas quando esquecemos que é só uma parte, aí pode complicar. É como se fosse uma roupa que a gente usa em determinados
lugares: Você vai à praia com roupa de praia, à um casamento com roupa de
casamento, pra academia com roupa de academia e por ai vai. Teoricamente, a
gente escolhe o que vai usar de acordo com o ambiente, ocasião, etc. Só que
você não é a roupa! Entende? Você é quem usa a roupa. Uma das problemáticas em torno da
persona é quando há identificação com a máscara. O individuo não sabe mais quem
ele é e acredita ser só aquilo que aparenta ser. Topa um exercício? Olhe para si no espelho e, responda: ‘Quem eu estou tentando ser hoje?’ ‘O que em mim quer ser
visto de verdade?’ Anote as palavras que surgirem. Sombra Sombra, para Jung, são aspectos inconscientes reprimidos ou negados.
Não são só aspectos ‘negativos’ como a maioria das pessoas pensam. Na sombra também
estão os potenciais, também inconscientes da personalidade. É aquilo que o
individuo “não reconhece” como seu. Para Jung, identificar e entrar em contato com a sombra é a
primeira etapa indispensável do processo analítico e do autoconhecimento. Normalmente, só este reconhecimento já contribui para que o
indivíduo se torne mais tolerante e
menos crítico em suas relações. Afinal, o individuo descobre neste processo que
o outro é só reflexo de uma parte que ele não reconhece de si mesmo. E que, no
final, estamos todos enredados em nossas complexidades e no caminho de
desenvolvimento pessoal. Conhecer a sombra é um ato de honestidade amorosa. O
primeiro artigo desta newsletter falo sobre “observação e honestidade.” Mas vamos para mais um exercício? Pegue um papel e divida em duas colunas. Agora escolha uma
pessoa que te irrita, te incomoda profundamente e na outra coluna coloque o
nome de alguém que você admira muito. Pode ser alguém conhecido, uma
celebridade, sei lá... alguém que te tira do sério e outra quem você admira. Liste nas respectivas colunas todas as características que
lembrar dessas pessoas: porque você não suporta uma e o que mais ama na outra. Depois disso: olhe atentamente para a lista e veja se é
possível reconhecer essas características em você. Não em comparação com as
pessoas, mas quando e em que momentos você também age daquele jeito. Por exemplo: “não gosto de fulano porque ele mente.” Quando
e em quais situações você mente também? Adoro beltrano porque é determinado, otimista. Em que
situações na sua vida vocês se sentiu ou foi determinada? Será que é preciso
deixar a determinação aparecer mais vezes na sua vida? Acredite, não é um exercício fácil. Mas aos poucos a gente
vai aprendendo a enxergar o outro como um espelho de nós mesmos. E, na relação
a gente cresce! Alquimia interior: do chumbo ao ouro O conceito de alquimia é bastante complexo na obra do Jung,
mas depois do nosso mergulho na sombra, vou “reduzir” este conceito aqui como
sendo uma metáfora, um mapa no processo de individuação que contém as seguintes
etapas:
Como exercício, sugiro apenas que você observe sobre alguma
situação específica que está vivendo e reflita em qual dessas etapas você está
nesta situação? Se precisar de apoio nisso, me chama para gente conversar e
mapear isso juntos. Sonhos Ah! Quando se fala de Jung, muitas pessoas já relacionam à análise
de sonhos né? Sim, pois para ele “Os sonhos, as imagens que surgem são a linguagem do inconsciente.” E o convite aqui alma corajosa é que você compre um caderninho e anote seus sonhos, desenhe as imagens. Muitas pessoas relatam que não sonham nada, mas a verdade é que todos nós sonhamos! Acontece que muitas vezes nosso ego teimoso não valida ou não quer entrar em contato com essas imagens , com essas “mensagens da alma”.
Muitas vezes brinco que a gente precisa, “negociar” com o
ego antes de dormir para que ele permita uma pequena lembrança, uma cena, uma
frase ou sensação, pois esta já é o suficiente pra começar o trabalho de
análise. Self Self, para Jung, é a totalidade! Consciente, inconsciente,
sombra, complexos (que eu nem falei neste artigo) e tantos outros aspectos da
personalidade. São tantas as “partes” do nosso ser que acho que pra hoje
está bom né? Já temos assuntos e diálogos abertos aqui para lidar com
essas partes em nós. E assim encerro com o poema que o meu inconsciente
apresentou para o meu consciente e que agora eu compartilho com você, alma
corajosa: Por que foges ou busca fora
de ti alma corajosa? REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 📚 JUNG, C.G. Obra
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📚 Mulheres que Correm com os Lobos, Dra. Clarissa Pinkola Estés (Rocco, 2014) https://amzn.to/3QxNWJn |
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