26/05/2026La loba e a força indestrutível dos ossosExiste uma velha que
vive num lugar oculto de que todos sabem, mas que poucos já viram. Ela perambula pelo
deserto e recolhe ossos. Não qualquer osso, ela procura ossos de animais com
risco de extinção e, preferencialmente, busca ossos de lobos. E quando
finalmente reúne o esqueleto inteiro, ela arma uma fogueira, senta diante do
fogo e pensa... em qual música ela vai cantar. E enquanto canta, os ossos ganham carne. A carne se cobre de pelos e a criatura se transforma em um lobo. La loba canta mais. O lobo respira, abre os olhos e sai correndo pelo desfiladeiro. Em algum ponto da corrida, quer pela velocidade, por um respingo de água ou por um feixe de luz, o animal se transforma numa mulher que ri e corre livremente. Esse é o conto “La Loba”. Um dos contos mais antigos que a Dra. Clarissa Pinkola Estés traz na obra Mulheres que correm com os lobos e, não é a toa que ele “abre” as histórias contidas neste livro. Na newsletter de hoje vou me concentrar com você para trazer a simbologia desses ossos, pois quando você compreender isso... vai olhar pra sua vida com outros olhos. Nota: Se você quiser conhecer o conto na íntegra e ouvir a história de La Loba narrada com todas as palavras selecionadas pela Dra. Clarissa, vou deixar o link de uma gravação que tenho no YouTube. Ossos, a força indestrutível Na simbologia arquetípica, os ossos representam a força indestrutível e a Dra. Clarissa é precisa nisso: "Os ossos representam a força indestrutível... Sabemos que a alma pode ser ferida, até mesmo mutilada. Mas é quase impossível eliminá-la.” Dra. Clarissa Pinkola Estés (pág. 49) Não importa se você
está aparentemente impecável ou emocionalmente destruída, não se trata do que está
visível. Os ossos não é o que as pessoas veem quando olham pra você. É o que
permanece mesmo depois de “tudo” lhe foi tirado. Aquilo que sobrevive
depois de relações difíceis, depois de ciclos que te esgotaram. Versões e partes
suas que você achou que tinham morrido. Seus ossos, suas partes perdidas! A tarefa de La Loba é unicamente: recolher esses ossos. Encontrá-los onde estão dispersos, enterrados, perdidos. Para então montá-los. Cantar e trazer de volta a vida! A Dra. Clarissa diz uma coisa que ecoa em mim: "É nossa responsabilidade recuperar suas partes." (pág.42) Responsabilidade. Não é sorte de achar os ossos. Não é ao acaso ou alguém que deve nos entregar ou preencher essas partes, é “nossa” responsabilidade. Nossa! Observe que a La Loba
não aparece com o esqueleto pronto ou pistas de onde estão escondidos. Ela se
arrasta pelo deserto. Esquadrinha as montanhas, os leitos secos de rios e vai
buscando “osso por osso”. E este é o único trabalho de La loba! Este não é um processo rápido, alma corajosa! Não é uma mudança que surge “do nada”, como diria a Dra. Clarissa: “É um processo laborioso”. Talvez esse seja o
nosso único e verdadeiro trabalho. As vezes chego a pensar que este é o tal “propósito”
que tanto as pessoas buscam e querem encontrar. Afinal, sabe o que são
esses ossos na sua vida? São os desejos que
você enterrou porque pareciam grandes demais. Os talentos que você deixou de
lado porque não havia espaço. Partes e falas suas que foram silenciadas em
algum relacionamento ou em algum ambiente onde não te cabia. São também os valores que você perdeu de vista. A criatividade que parou de fluir. A intuição que você foi ensinada a não confiar. “Ela recolhe e conserva especialmente o que corre o risco de se perder para o mundo.” Dra. Clarissa Pinkola Estés, sobre La Loba (pág.41)
A canção: o que
significa cantar sobre os ossos? Quando La Loba finalmente tem o esqueleto completo, ela não sai correndo pra fazer alguma coisa. Ela prepara uma fogueira, senta diante do fogo e, pensa na canção que vai cantar. Ela escolhe uma canção. “Cantar significa usar a voz da alma. Significa sussurrar a verdade do poder e da necessidade de cada um, soprar alma sobre aquilo que está doente ou precisando de restauração.” Dra. Clarissa Pinkola Estés (pág. 42) Quando você retoma um projeto que estava adormecido, isso é cantar sobre os ossos. Quando você nomeia em voz alta um desejo que ficou enterrado por anos, isso é cantar sobre os ossos. Quando você se permite sentir o que ficou represado, isso também é cantar sobre os ossos. A Dra. Clarissa faz algumas perguntas que funcionam como bússola pra esse processo. Vou compartilhar algumas com você agora, e te peço que as leve com você depois desta leitura:
Essas perguntas são o início do trabalho de La loba. No nosso próximo encontro, a gente segue nesta caminhada pelo deserto com a “La loba”. E, se enquanto você me acompanhava aqui, algo surgiu em você: um nome, uma imagem, uma sensação, quero que saiba que esse é exatamente o trabalho que faço nos meus atendimentos individuais: acompanhar junto com você o que surge do seu interior. Juntas
abrimos espaço para essa imagem, para essa sensação se revelar e te conduzir à
clareza para suas decisões. Se quiser minha
companhia neste processo é só me chamar. Cada mulher tem seus
próprios ossos e também sua própria e única canção. “Ela lo hace a mano” ela faz a alma à
mão. Assim diz a Dra. Clarissa sobre La Loba. Esse trabalho é feito
à mão. Com presença. Com tempo. Com coragem. Até o próximo artigo,
alma corajosa. Fabi Cauneto |
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