23/04/2026Como está sua relação com o trabalho?

Mais um feriado se aproxima! Desta vez, 1° de maio e eu, aqui neste espaço, quero te convidar a fazer algo diferente: pausar! Não ‘do’ trabalho. Mas ‘para’ o trabalho. Você topa olhar para esta sua relação?


A pausa

Quando foi a última vez que você parou para se perguntar sobre a sua relação com o trabalho? Não sobre o trabalho em si: o que você faz, se está indo bem, se o salário é justo, se o chefe é legal ou difícil. Mas sobre como você está dentro dele?


Tem gente que chega no final do dia exausta, mas não consegue dizer do quê. Tem quem trabalha muito e sente que não entregou nada. E tem quem trabalha com uma leveza que até surpreende.


Eu tenho uma pergunta que gosto muito de fazer nas minhas mentorias:

"Quem em você sai para trabalhar?"


Você vai ao trabalho como filho que busca reconhecimento, como um pai autoritário, ou como a criança que foi elogiada quando se esforçava?

Você trabalha para conquistar, para provar algo, para pertencer, para sobreviver?

Ou você trabalha porque sente que tem algo a oferecer?

Outras reflexões: o que você ouviu falar sobre trabalho enquanto crescia?

Quais são as narrativas sobre trabalho que você escutou e, provavelmente adotou para sua relação profissional:

"Trabalho é sofrimento, luta." "Trabalho duro é virtude."


Essas histórias moram dentro da gente e, muitas vezes são elas que nos dirigem quando estamos no “piloto automático”.

 

Do piloto automático à harmonia: um pensamento de Jung

No piloto automático a gente não para! Só trabalha, entrega, cumpre metas e repete. Às vezes por anos. Às vezes a vida toda! É tanta dedicação ao fazer que a gente esquece de se perguntar para quê.


E aí o trabalho é só mais uma obrigação, um movimento sem sentido. Muitas vezes se torna uma identidade tão colada na gente que, quando ele some, seja por uma demissão, uma transição, uma aposentadoria, não sabemos mais quem somos sem ele.


A produtividade hoje em dia virou uma espécie de religião. Você precisa ser eficiente, otimizado, sempre disponível, sempre entregando. E no meio de tudo isso, a pergunta: "como eu estou no meio disso?" vai ficando para depois.


Jung nos deixou uma observação que considero cirúrgica:

"A pessoa humana não é uma máquina no sentido de poder ter um rendimento de trabalho constante, mas ela só pode corresponder de forma ideal à necessidade externa se também estiver ajustada ao seu próprio mundo interno, isto é, se estiver em harmonia consigo mesma."  C. G. Jung, Obras Completas, §75, p. 51

Que frase!


Ele não está falando de produtividade. Ele está falando de harmonia. O que eu entrego para fora depende diretamente de como estou por dentro.


Então se você está distante do seu trabalho, entorpecida ou no “automático”, talvez a pergunta não seja "o que está errado com o meu trabalho?". Talvez seja: "o que em mim está desajustado?"

Esse pode ser o começo de uma honestidade muito corajosa.

 

O trabalho como expressão: amor, presença e entrega

Khalil Gibran, em seu livro 'O Profeta, nos convida a olhar o trabalho de maneira mais profunda. Ele diz que quando trabalhamos,

somos como uma flauta por onde o sussurrar das horas se torna música.”

É uma imagem bonita, né? Para alguns pode até parecer utópico, mas Gibran, nos apresenta o trabalho como uma entrega, um meio de como servir e não como uma mera atividade. Gibran impacta ainda mais neste capítulo quando traz a mensagem:


"E todo trabalho é vazio, a não ser quando há amor." K. Gibran

No ano passado, Marisa Santos Souza e eu, fizemos uma leitura comentada do livro “O Profeta”. Para quem tiver curiosidade, o material segue disponível:

no Youtube e no Spotify:


Na ocasião, refletimos muito sobre este “servir com amor”. E principalmente que o trabalho não é tanto sobre o que você faz, mas com que presença você faz. E uma percepção que a Marisa nos trouxe foi:


"Talvez o maior trabalho da minha vida seja dar conta do trabalho da minha própria vida."


Ainda estou refletindo sobre “os trabalhos” que tenho na vida e como trazer “amor” para as minhas entregas.


Servir à vida: o trabalho como obra

E quando o trabalho deixa de ser prova, sofrimento e começa a ser expressão daquilo que somos internamente, ele pode se tornar algo ainda maior: uma oferta no sentido de contribuição.


Bert Hellinger, em seu livro “Êxito na Vida, Êxito na Profissão”, traz uma visão que amplia tudo isso, pois para ele, vida pessoal e profissional não se separam.

Ele diz que o sucesso que dura não está a serviço da nossa ambição, do nosso ego, mas aquele que está a serviço da vida, ou seja, das pessoas que se beneficiam da nossa entrega. Neste sentido, o trabalho deixa de ser um fardo e se torna um legado.


Pois então, alma corajosa, o convite de hoje é esse. Não estou te pedindo para amar seu trabalho de forma romantizada. Estou te convidando a olhar para como você se sente em relação a ele. Como estas horas de dedicação diária te nutrem e como você entrega aquilo que entrega. Quais são seus desafios e sua postura diante disso?



Neste texto não tem “CTA*”, apenas deixe essas perguntas ‘trabalharem’ em você para que as imagens e os novos direcionamentos possam surgir da sua alma. E eu fico aqui na torcida de que você tenha coragem de seguir o seu próprio caminho de crescimento.


E, claro que se quiser avançar esta reflexão comigo, estarei aqui ou no privado.

Com carinho,

Fabi Cauneto

 

 

*CTA: Call to Action (chamada para ação), um recurso de marketing que utiliza textos ou botões para guiar o usuário a realizar uma ação específica.


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REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

📚 GIBRAN, K. O Profeta, cap. “Sobre o trabalho” 1ª Edição. Editora Ajna, 2021

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📚 HELLINGER, B. Ordens do sucesso. 4ª Edição. Editora Atman, 2017

https://amzn.to/4t7UufE

 

📚 JUNG, C.G. 8/1 A energia psíquica. 14ª Edição. Editora Vozes, 2013

Volume 8/1:  https://amzn.to/4tc4oga

Obra completa de C.G. Jung: https://amzn.to/4sA2J4d

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